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Ambientes que curam...



A arquitetura hospitalar envolve desafios complexos, sejam eles estruturais, logísticos ou regulamentares; mas quando a arquitetura passa a considerar o bem-estar do ser humano como centro, há redução de ansiedade, estresse e do tempo de recuperação do paciente ou seja, criam-se ambientes que curam.


Neste artigo, Emerson da Silva, arquiteto sênior da IDEIN e presidente da ABDEH, compartilha seu expertise a respeito de uma arquitetura focada no bem-estar dos pacientes, acompanhantes e funcionários.

“Ambientes frios e impessoais têm sido associados a um maior tempo de internação e a uma maior dosagem de medicação contra a dor”. - Roger S. Ulrich – Diretor do Center for Health Systems and Design – Texas A&M University

Os ambientes de saúde congregam diferentes agentes com diferentes dores...

O paciente é um ser fragilizado que necessita de cuidados. Os profissionais, muitas vezes se encontram cansados, apressados, tensos, pela própria natureza estressante do seu trabalho. E, a alta tecnologia, que envolve os equipamentos de exames e salas de diagnósticos, em geral, criam uma atmosfera fria e repulsiva.

Os estudos das percepções, expectativas, valores e comportamentos dos usuários não têm sido suficientemente considerados nas tentativas de humanização da edificação hospitalar no Brasil. A falta de uma maior participação dos usuários durante o processo projetual impede ou, no mínimo, limita o conhecimento de suas expectativas e níveis de satisfação, condição indispensável para a humanização do hospital.

Sem este conhecimento, as propostas de humanização, em sua maioria, se restringem à adoção de padrões projetuais já consagrados, repetindo as mesmas soluções arquitetônicas que nem sempre se revelam como as mais adequadas.

É bem verdade que a humanização dos espaços de saúde é pauta de discussões desde os anos 70 no exterior e os anos 80 no Brasil. Mas, esta discussão realmente tomou corpo e importância somente no século XXI. Em 2001, com a criação do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH) pelo Ministério da Saúde, abriu-se um diálogo maior sobre o assunto envolvendo também a iniciativa privada. Já em 2003, o PNHAH mudou de nome para Política Nacional de Humanização (PNH), também chamado de HUMANIZA SUS.

Para aliviar o sofrimento e propiciar a recuperação da saúde dos pacientes, os novos ambientes propõem-se a promover o bem-estar, o acolhimento e a segurança de toda a cadeia a qual se relaciona. Vários estudos mostram a relação direta do espaço hospitalar com os resultados dos pacientes, provando que ambientes agradáveis diminuem a ansiedade e a dor, interferindo diretamente na cura.


“O espaço humanizado centra-se no paciente, colabora para a sua autonomia, estabelecendo adequadas relações psicológicas com o ambiente que o acolhe, como elemento fundamental da desejada cura.” De acordo com o grupo de pesquisa Espaço Saúde/ PROARQ-FAU/UFRJ, criado em 2002 em parceria com o Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva-NESC-UFRJ.


Através de uma ambientação humanizada, é possível estimular reações positivas ao restabelecimento do equilíbrio físico e psíquico do usuário, seja ele paciente, colaborador, visitante, minimizar efeitos estressores, contribuir no processo de cura, no aumento de produtividade, na melhora da qualidade e no acolhimento.


Conforto visual e acústico, iluminação suave, carpetes para a absorção de ruídos, cores suaves e obras de arte para tornar a atmosfera acolhedora e caseira, e a possibilidade de delegar aos pacientes o controle do espaço tais como o controle de luzes, temperatura e facilidades, como televisão, facilmente alcançadas a partir do leito, bem como, iluminação e ventilação naturais, janelas com visualização do céu e de paisagens, ruídos controlados, jardins de fácil acesso, fontes de água e aquários com peixes, privacidade garantida ao paciente, visitas liberadas para o acesso de familiares, corredores curtos e largos, cores e texturas diferenciadas em paredes, tetos e pisos.


Se um edifício ou ambiente é concebido considerando a percepção do usuário como ponto fundamental, ele estimula sensações, atitudes, comportamentos, mais ou menos desejáveis para as diversas situações de atividade humana.


Concluindo, é fundamental a produção de uma arquitetura hospitalar capaz de proporcionar as condições físicas necessárias para o bem-estar de pacientes, acompanhantes e funcionários, através de uma maior qualidade funcional, espacial e imagética dos ambientes hospitalares.

Impõe-se, portanto, a adoção de processos projetuais que estimulem a participação dos usuários, a utilização dos estudos de percepção e a integração entre o projeto arquitetônico, as práticas médicas e os demais projetos de engenharia necessários à implantação de um hospital.


Nós da IDEIN, quando projetamos ambientes de saúde, buscamos soluções de arquitetura que promovam o bem-estar de todos os agentes que configuram o cenário hospitalar. O resultado desta busca cotidiana tem sido bastante gratificante, e nos impulsionam cada vez mais a projetar ambientes que curam...


Colaborou com este artigo:

Emerson da Silva – arquiteto sênior da IDEIN, especialista em Biossegurança, presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento do Edifício Hospitalar, ABDEH.

A IDEIN atua na área de arquitetura com excelência na concepção e desenvolvimento de espaços. Trabalha com equipes em 5 unidades de negócio: saúde, corporativo, residencial, comercial e industrial.



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@2020 por ImagemFinalCG